sexta-feira, 28 de abril de 2017

Bem Vindo ao Paraiso



Bem-vindo ao Paraíso

Tudo nos é familiar. Tudo nos é reconhecido. Tudo faz sentido: as pessoas, as cidades, as cores, os cheiros, as paisagens, o azul impossível do mar… tudo. É uma experiência fascinante, quase anacrónica. É como um dejá-vu em que as casas, os edifícios e as ruas nos trazem à memória histórias ricas, antigas, de épocas que estas cidades viveram, em tempos idos.

É a luxúria das cores, dos grandes espaços, onde o verde explode em simultâneo com todos os outros tons primários numa paleta de cores sem fim, onde a intensidade das transições do azul do mar se encontra com a irmandade das suas próprias tonalidades, qual arco-íris marinho que circunda as duas ilhas verdejantes, e que mexe de forma explícita com todos os nossos sentidos – mesmo aqueles que não sabia que existiam.

É a descoberta da natureza umbilicalmente ligada ao regresso a raízes que a todos nos tocam. É o sentir das praias desertas, da magia das florestas, da doçura do povo e de todas as memórias antigas das roças de cacau e café.



Aterrar nesta esta ilha é como chegar ao tal paraíso que nos falam desde pequenos e que sempre pensámos como seria. Sentimo-nos bem e, tal como os descobridores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar quando aqui chegaram pela primeira vez, somos invadidos por uma onda de alegria e felicidade, alternada pela ânsia e pelo desejo da descoberta, onde nos sentimos actores principais num registo cinematográfico neo-realista.

O segredo nesta ilha é entrar devagar, de forma “leve, leve”, típica deste povo e como os próprios definem. É descobrir uma candura desarmante e desconcertante, e uma forma de estar calma, tranquila, que nos induz à paz e nos seduz por completo. É apenas aquela “força” a quem chamamos de mãe-natureza, que nos remete àquelas paradisíacas paisagens tropicais que nos anestesiam e nos impele de respirar de outra forma e com mais prazer.

Sabe bem viver um dia atrás do outro, não ter pressa de viver, viver tudo com tempo e deixar o tempo passar. Até porque este tempo vai chegar sem nunca chegar ao fim, nestes momentos em que a perfeição se cruza com a realidade e nos transporta para um mundo só nosso.

É bom viver São Tomé e Príncipe. É bom porque faz sentido. É como chegar ao paraíso.


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